Educação no Brasil

Venha aqui tomar um copo de leite e discutir sobre tudo que quiser (contanto que o assunto não esteja relacionado com uma das seções acima ou abaixo).

Re: Educação no Brasil

Mensagempor Tiforce » 16/07/2012 (Segunda-feira), às 22h30min

Cyrus escreveu:MÉDIO:
Aprender Questões Complexas: O que o Estudante Escolher e o que REALMENTE for FAZER :=):

Ignorando a clusterfuck de emoticons, isso me chamou atenção.
Acho que ao chegar no ensino médio o aluno escolheria suas aulas, sendo obrigatório Português, matemática e alguma ciência (Biologia, Química, Física), talvez com Ed. Física sendo obrigatório também.
E...eu acho que é só.
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Re: Educação no Brasil

Mensagempor Aero » 16/07/2012 (Segunda-feira), às 23h09min

Eu sinceramente acho que até a quinta série do Ensino Fundamental os estudantes deveriam aprender única e exclusivamente Português e Matemática.

Ambas são a base de todo o conhecimento: O Português é a base da comunicação, expressão e entendimento; A Matemática é a base da quantificação, lógica e raciocínio crítico. Se a base nessas duas matérias não for boa, não é possível aprender nada.
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Opinião e algumas ressalvas

Mensagempor lpslucasps » 17/07/2012 (Terça-feira), às 09h32min

Minha opinião assemelha-se à do Kael. Uma reestruturação da carreira dos professores e a implantação de uma meritocracia são, de fato, de suma importância. Essas medidas, entretanto, resolvem apenas parte da questão e não são, de forma alguma, uma panacéia para os problemas enfrentados pelo sistema de educação brasileiro. Creio que, junto à proposta do Kael, outra medida deve ser tomada em conjunto: a criação de um plano nacional de ensino. Não me refiro à diretrizes gerais sobre carga horária mínima de cada matéria ou que assuntos devem ser abordados: falo aqui de um sistema completo a abrangente em nível nacional ao qual todas as escolas públicas (e talvez até mesmo as particulares) devam se adequar. Vejo inúmeras vantagens nessa medida e pouquíssimas desvantagens, facilmente contornáveis.

Primeiramente, seria muito mais fácil criar padrões de qualdiade e monitorar o desempenho das escolas em todo o país. Hoje em dia usamos provas como o Enem para tal. Ao meu ver ele, por si só, é insuficiente. Uma única prova realizada ao fim do ensino médio é incapaz de avaliar o desempenho todo o processo de aprendizado. São necessários mais exames nacionais e eles não deveriam limitar-se somente à provas arcaicas, mas também à outras formas de avaliação menos ortodoxas. Isso seria facilmente realizável caso houvesse um plano nacional de ensino. Dependendo da abrangência desse plano, as escolas e professores não mais elaborariam as provas: elas seriam padronizadas pelo MEC. A correção seria feita pelos próprios lecionistas de cada colégio e os resultados entregues ao órgão nacional, criando-se assim um índice muito mais detalhado e que acompanha-se a qualdiade do ensino no decorrer de toda a vida letiva do aluno.
Talvez alguns achem essa medida muito radical ou que ela tire a liberdade dos professores, mas há formas de contornar isso. Por exemplo, apenas um dos exames no decorrer do ano poderia ser obrigatoriamente o padronizado pelo MEC - os outros ficariam à critério das escolas e de cada professor. A idéia é que o Estado seja mais pró-ativo e fiscalize de forma mais criteriosa as instituições escolares, não somente ao fim do processo letivo, mas também no seu decorrer.

Entretanto, creio sim que esse plano nacional deve ser um tanto quanto rígido, mesmo que tire um pouco da liberdade dos professores. Isso acarretaria em outra vantagem e supriria uma deficiência evidente na educação brasileira: existiria maior uniformidade na grade curricular em toda a extensão do território nacional.
No cenário moderno, temos que o sistema de ensino de cada estado (ou até mesmo cidade) é substancialmente diferente, normalmente com foco maior e alguma área e deficiência em outra. Na maior parte das vezes isso se deve ao fato de que cada escola altera sua grade curricular de modo que as matérias que mais caem no vestibular local sejam privilegiadas.
Como alguém que já estudo em escolas de várias cidades sei como isso é muito, muito sério. Por exemplo, em Governador Valadares há um grande foco no ensino nas ciências exatas, especialmente matemática, já que nas provas usadas como processo seletivo das faculdades da região essa ciência é muito mais cobrada. Já se você estuda mais perto da capital, há uma inversão: o ensino de matemática, química e física grotescamente deficiente, enquanto português e geografia recebem um tratamento especial. Por quê? Pelo fato de a UFMG, em seu vestibular, dar maior peso à estes e abordar aqueles mais superficialmente. Assim, enquanto em Governador Valadares eu estudei química orgânica e números complexos no segundo ano do terceiro grau, na capital as escolas simplesmente sequer tocam no assunto, concentrando-se em fazer o aluno decorar "regras de interpretação de texto" (como se existissem regras para isso...).
Notem que falo aqui de diferenças alarmantes que existem de cidade para cidade. É muito provável que em âmbito nacional as disparidades e contrastes sejam ainda maiores. Como resultado temos um sistema de ensino totalmente incoerente ao redor do país.
O ENEM deu uma amenizada no problema, mas não o resolveu. Ao invés de termos várias escolas ajustando sua metodologia para que formem alunos preparados para os vestibulares locais, todas agora se focam em maximizar o desempenho deles no exame nacional. Isso é melhor do que antes (já que há, em tese, maior uniformidade entre as grades curriculares das instituições de ensino, independente da região), mas ainda é preocupante. Creio que não preciso explicar como um sistema de ensino cujo único objetivo é preparar os alunos para uma prova específica é cheio de deficicências grosseiras.
Um plano nacional de ensino mais rígido resolveria (ou pelo menos amenizaria) esses problemas. A padronização do ensino nacional é inerente à ele e, com maior controle sobre a grade curricular das instituiçõe escolares, seria fácil coibir metodologias que se focassem em privilegiar uma ou outra prova.

Outra vantagem menos evidente, mas, penso eu, igualmente importante, na adoção de tal plano é como ele facilitaria mudanças na grade curricular nacionalmente. Se cada escola, cidade ou estado é responsável por seu próprio método de ensino, fica difícil o MEC propor mudanças substanciais na grade curricular nacionalmente, e mais difícil ainda certificar-se que elas foram adotadas do modo desejado. Um plano nacional agilizaria o processo.
Por que isso é importante? Porque o conhecimento não é fixo, muito menos aquilo que consideramos "conhecimento essencial". Digamos que, em vinte anos, o chinês substitua o inglês como língua franca mundial (Deus nos guarde!). Um plano nacional facilitaria de forma absurda a mudança da grade curricular de todas as instituições do país diante do novo paradigma.

Sei que é uma medida polêmica e que não pode ser adotada sem causar qualquer tipo de conflito. Sua adoção seria delicada e várias questões deveriam ser analisdas (como as escolas particulares se comportariam nesse novo paradigma? Como padronizar o ensino nacionalmente e ainda assim garantir que os professores tenham liberdades básicas em seus métodos de ensino? Que partes desse plano devem ser adaptadas para a realidade de cada região, e que partes devem ser seguidas à risca?), mas acredito que auxiliaria, e muito, a luta por uma educação melhor no Brasil.

Evidentemente essa proposta, por si só, não é a solução mágica para todos os problemas enfrentados pela educação. Como já disseram anteriormente, uma reestruturação da carreira do professor e a criação de uma meritocracia são essenciais e andam de mãos dadas com o que propûs.

Há ainda outras propostas que também acredito que trariam vantagens. Por exemplo, mais incentivos aos alunos na forma de prêmios (preferencialmente cursos e coisas do tipo, a fim de evitar uma competição por bens materiais em ambiente escolar) e cursos de "reciclagem" periódicos para os professores aprimorarem seus métodos didáticos. Mas como o post já está bem grande, abster-me-ei de comentá-las.

Por fim, algumas ressalvas: não acho que a grade curricular deva se ajustar às aptidões e preferências do aluno, nem mesmo no ensino médio. Os assuntos abordados na escola (inclusive no ensino médio) são extremamente básicos e triviais e acho que qualquer pessoa, independente da profissão que deseja seguir no futuro, deve conhecer. Sim, inclusive polinômios, eletromagnetismo e química orgânica.

Sobre a proposta do Aero, acho-a extremamente válida. Só adicionaria filosofia também.
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Re: Educação no Brasil

Mensagempor Hagane » 17/07/2012 (Terça-feira), às 11h42min

Aero escreveu:Eu sinceramente acho que até a quinta série do Ensino Fundamental os estudantes deveriam aprender única e exclusivamente Português e Matemática.

Ambas são a base de todo o conhecimento: O Português é a base da comunicação, expressão e entendimento; A Matemática é a base da quantificação, lógica e raciocínio crítico. Se a base nessas duas matérias não for boa, não é possível aprender nada.


Concordo, mas eu penso que as outras matérias deveriam estar na grade também, porém com ênfase muito menor que Português e Matemática. Não adianta você estudar apenas duas matérias até o quinto ano e, quando chegar no sexto, começar a estudar todas as matérias bruscamente.
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Re: Educação no Brasil

Mensagempor Aero » 17/07/2012 (Terça-feira), às 12h06min

Hagane escreveu:
Aero escreveu:Eu sinceramente acho que até a quinta série do Ensino Fundamental os estudantes deveriam aprender única e exclusivamente Português e Matemática.

Ambas são a base de todo o conhecimento: O Português é a base da comunicação, expressão e entendimento; A Matemática é a base da quantificação, lógica e raciocínio crítico. Se a base nessas duas matérias não for boa, não é possível aprender nada.


Concordo, mas eu penso que as outras matérias deveriam estar na grade também, porém com ênfase muito menor que Português e Matemática. Não adianta você estudar apenas duas matérias até o quinto ano e, quando chegar no sexto, começar a estudar todas as matérias bruscamente.

Não adianta estudar Ciências se você não tem a base para entender o método científico.
Não adianta estudar Estudos Sociais se você não tem a base para interpretar os conceitos sociais.

A grande maioria das pessoas do mundo nunca teve uma aula de lógica. Como você vai explicar o método científico para pessoas que acham que se A->B então B->A?

É claro que não estou dizendo que esses conceitos devem ser ignorados. Eles devem, sim, ser abordados - nas aulas de Português e Matemática.
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Re: Educação no Brasil

Mensagempor Kon » 18/07/2012 (Quarta-feira), às 22h01min

Olha, vou ser simplista aqui, o problema, no meu conceito, está mais na cultura do Brasil em relação à educação do que a estrutura da educação. A estrutura tem sim seus grandes problemas, mas vejo como problema ocasionado pela cultura.

No Brasil ir para escola é visto como um estorvo para maior parte da população que nela se encontra: os professores não conseguem ver seu trabalho como algo nobre e nem são reconhecidos como tão. Os alunos não gostam de estar lá ou de aprender, não aprendem disciplina nas escolas de como se comportar e existe a super proteção dos pais em relação ao filho o que gera poucos recursos para a escola disciplinar os alunos.
Se a educação no Brasil fosse vista como algo necessário, simplesmente uma parte da vida, um meio social,etc... Não haveria tanto repúdio em relação a escola, haveriam mais pessoas que prezam e respeitam a instituição e naturalmente os investimentos e reconhecimento da escola aumentariam gerando maior qualidade de ensino, maior procura pela área, mais respeito e aceitação da parte dos alunos, etc...
Mas concordo com o primeiro post do CDX, porém acho que para que isso dê certo eu acho que a escola deveria ser em período integral, porque a teoria é importante e não podemos desprezá-la apenas para mostrar o prático e para poder ensinar ambos precisaríamos de mais tempo de estudos.

Ou seja, acho que o que falta no Brasil é uma mentalidade e disciplina em relação à escola, a maneira que a vemos e que botamos importância nela, precisaria de uma revolução cultural nessa área, ao meu ver.

PS: Acredito que isso deveria começar por professores bem pacientes e pais conscientes que ensinariam os filhos desde novo a aceitar e gostar da escola, aprender a ter disciplina e educação adequada, ou algo assim
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Re: Opinião e algumas ressalvas

Mensagempor Kael » 20/07/2012 (Sexta-feira), às 16h15min

lpslucasps escreveu:Minha opinião assemelha-se à do Kael. Uma reestruturação da carreira dos professores e a implantação de uma meritocracia são, de fato, de suma importância. Essas medidas, entretanto, resolvem apenas parte da questão e não são, de forma alguma, uma panacéia para os problemas enfrentados pelo sistema de educação brasileiro. Creio que, junto à proposta do Kael, outra medida deve ser tomada em conjunto: a criação de um plano nacional de ensino. Não me refiro à diretrizes gerais sobre carga horária mínima de cada matéria ou que assuntos devem ser abordados: falo aqui de um sistema completo a abrangente em nível nacional ao qual todas as escolas públicas (e talvez até mesmo as particulares) devam se adequar. Vejo inúmeras vantagens nessa medida e pouquíssimas desvantagens, facilmente contornáveis.

Primeiramente, seria muito mais fácil criar padrões de qualdiade e monitorar o desempenho das escolas em todo o país. Hoje em dia usamos provas como o Enem para tal. Ao meu ver ele, por si só, é insuficiente. Uma única prova realizada ao fim do ensino médio é incapaz de avaliar o desempenho todo o processo de aprendizado. São necessários mais exames nacionais e eles não deveriam limitar-se somente à provas arcaicas, mas também à outras formas de avaliação menos ortodoxas. Isso seria facilmente realizável caso houvesse um plano nacional de ensino. Dependendo da abrangência desse plano, as escolas e professores não mais elaborariam as provas: elas seriam padronizadas pelo MEC. A correção seria feita pelos próprios lecionistas de cada colégio e os resultados entregues ao órgão nacional, criando-se assim um índice muito mais detalhado e que acompanha-se a qualdiade do ensino no decorrer de toda a vida letiva do aluno.
Talvez alguns achem essa medida muito radical ou que ela tire a liberdade dos professores, mas há formas de contornar isso. Por exemplo, apenas um dos exames no decorrer do ano poderia ser obrigatoriamente o padronizado pelo MEC - os outros ficariam à critério das escolas e de cada professor. A idéia é que o Estado seja mais pró-ativo e fiscalize de forma mais criteriosa as instituições escolares, não somente ao fim do processo letivo, mas também no seu decorrer.

Entretanto, creio sim que esse plano nacional deve ser um tanto quanto rígido, mesmo que tire um pouco da liberdade dos professores. Isso acarretaria em outra vantagem e supriria uma deficiência evidente na educação brasileira: existiria maior uniformidade na grade curricular em toda a extensão do território nacional.
No cenário moderno, temos que o sistema de ensino de cada estado (ou até mesmo cidade) é substancialmente diferente, normalmente com foco maior e alguma área e deficiência em outra. Na maior parte das vezes isso se deve ao fato de que cada escola altera sua grade curricular de modo que as matérias que mais caem no vestibular local sejam privilegiadas.
Como alguém que já estudo em escolas de várias cidades sei como isso é muito, muito sério. Por exemplo, em Governador Valadares há um grande foco no ensino nas ciências exatas, especialmente matemática, já que nas provas usadas como processo seletivo das faculdades da região essa ciência é muito mais cobrada. Já se você estuda mais perto da capital, há uma inversão: o ensino de matemática, química e física grotescamente deficiente, enquanto português e geografia recebem um tratamento especial. Por quê? Pelo fato de a UFMG, em seu vestibular, dar maior peso à estes e abordar aqueles mais superficialmente. Assim, enquanto em Governador Valadares eu estudei química orgânica e números complexos no segundo ano do terceiro grau, na capital as escolas simplesmente sequer tocam no assunto, concentrando-se em fazer o aluno decorar "regras de interpretação de texto" (como se existissem regras para isso...).
Notem que falo aqui de diferenças alarmantes que existem de cidade para cidade. É muito provável que em âmbito nacional as disparidades e contrastes sejam ainda maiores. Como resultado temos um sistema de ensino totalmente incoerente ao redor do país.
O ENEM deu uma amenizada no problema, mas não o resolveu. Ao invés de termos várias escolas ajustando sua metodologia para que formem alunos preparados para os vestibulares locais, todas agora se focam em maximizar o desempenho deles no exame nacional. Isso é melhor do que antes (já que há, em tese, maior uniformidade entre as grades curriculares das instituições de ensino, independente da região), mas ainda é preocupante. Creio que não preciso explicar como um sistema de ensino cujo único objetivo é preparar os alunos para uma prova específica é cheio de deficicências grosseiras.
Um plano nacional de ensino mais rígido resolveria (ou pelo menos amenizaria) esses problemas. A padronização do ensino nacional é inerente à ele e, com maior controle sobre a grade curricular das instituiçõe escolares, seria fácil coibir metodologias que se focassem em privilegiar uma ou outra prova.

Outra vantagem menos evidente, mas, penso eu, igualmente importante, na adoção de tal plano é como ele facilitaria mudanças na grade curricular nacionalmente. Se cada escola, cidade ou estado é responsável por seu próprio método de ensino, fica difícil o MEC propor mudanças substanciais na grade curricular nacionalmente, e mais difícil ainda certificar-se que elas foram adotadas do modo desejado. Um plano nacional agilizaria o processo.
Por que isso é importante? Porque o conhecimento não é fixo, muito menos aquilo que consideramos "conhecimento essencial". Digamos que, em vinte anos, o chinês substitua o inglês como língua franca mundial (Deus nos guarde!). Um plano nacional facilitaria de forma absurda a mudança da grade curricular de todas as instituições do país diante do novo paradigma.

Sei que é uma medida polêmica e que não pode ser adotada sem causar qualquer tipo de conflito. Sua adoção seria delicada e várias questões deveriam ser analisdas (como as escolas particulares se comportariam nesse novo paradigma? Como padronizar o ensino nacionalmente e ainda assim garantir que os professores tenham liberdades básicas em seus métodos de ensino? Que partes desse plano devem ser adaptadas para a realidade de cada região, e que partes devem ser seguidas à risca?), mas acredito que auxiliaria, e muito, a luta por uma educação melhor no Brasil.

Evidentemente essa proposta, por si só, não é a solução mágica para todos os problemas enfrentados pela educação. Como já disseram anteriormente, uma reestruturação da carreira do professor e a criação de uma meritocracia são essenciais e andam de mãos dadas com o que propûs.

Há ainda outras propostas que também acredito que trariam vantagens. Por exemplo, mais incentivos aos alunos na forma de prêmios (preferencialmente cursos e coisas do tipo, a fim de evitar uma competição por bens materiais em ambiente escolar) e cursos de "reciclagem" periódicos para os professores aprimorarem seus métodos didáticos. Mas como o post já está bem grande, abster-me-ei de comentá-las.

Por fim, algumas ressalvas: não acho que a grade curricular deva se ajustar às aptidões e preferências do aluno, nem mesmo no ensino médio. Os assuntos abordados na escola (inclusive no ensino médio) são extremamente básicos e triviais e acho que qualquer pessoa, independente da profissão que deseja seguir no futuro, deve conhecer. Sim, inclusive polinômios, eletromagnetismo e química orgânica.

Sobre a proposta do Aero, acho-a extremamente válida. Só adicionaria filosofia também.


Apesar de ser uma muralha de texto, seu texto é muito coerente, lpslucasps.

Eu não teria nenhuma reclamação contra uma unificação do sistema. Rolaria um mimimi "Eles acham que nós somos de São Paulo" e alguns professores diriam que os alunos "Não estão mentalmente capacitados para realizar tais provas de dificuldade desproporcional.", mas isso morreria com o tempo, foi a mesma coisa no ENEM, o qual eu novamente concordo, antes no Acre se estudava para passar a única universidade federal do estado. Agora quanto a unifomi

Quanto ao plano nacional do ensino, existe, por exemplo, uma certa uniformidade nas escolas do sistema Positivo, onde eu estudei, apesar de que obviamente as provas que os alunos do Paraná faziam era diferentes e a abordagem fossem diferentes, eu avaliaria o ensino como bom.

Apostilas são modelos padronizados de conteúdo, e seriam o meio mais viável nesse Plano, contando com bons professores capazes de dizer que não é todo o conhecimento humano que está impresso naquelas páginas. Porém... :|

Texto escondido (pode conter spoilers): 
O ensino apostilado foi adotado por 129 municípios do estado de São Paulo. É um número significativo se pensarmos que este estado possui 645 municípios.

A rede pública escolar destes municípios usa recursos federais para pagar convênios com empresas particulares que fornecem material e treinamento para professores a um custo de R$145,00 a R$260,00 por aluno/ano (Folha S.Paulo,30/01/2006), visando melhorar o ensino ou diminuir os números de fracasso na aprendizagem.

Para [be]specialistas em educação copiar o modelo de ensino apostilado das escolas particulares representa uma desvalorização do ensino público e abre caminho para a “mercantilização e massificação do conhecimento, transformando o ‘ensino’ em mais um produto da Indústria Cultural”[/b] (Cad. Cedes, ano XXI, nº 54, agosto/2001).

"Isso já ocorreu no Chile. As prefeituras, sobretudo das pequenas e médias cidades, privatizaram o ensino por pura falta de condições de mantê-lo com qualidade. E o processo de apostilamento foi um dos primeiros passos até que se chegasse à privatização", argumenta o presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), Carlos Ramiro de Castro.


Esses são nossos especialistas? Preocupados com a mercantilização do conhecimento que tornar o ensino um produto da Industrial? Seja lá o que isso signifique, isso é mau! Só por que é um modelo do sistema capitalista malvado é ruim ele necessariamente não produz resultados!¹

Texto escondido (pode conter spoilers): 
49 Chile
88 Brasil

Fonte: Education for All Global Monitoring Report. Relatório de 2011.


Oh, wait. :|

Não que sigamos o exemplo do Chile como "O" exemplo, já que eles tem problemas hoje na questão do ensino superior, refiro-me aqui apenas a uma padronização das disciplinas não a uma "total privatização do ensino". Quanto a questão das aptidões do aluno (Creio que separá-las das 'preferências' é difícil, teria alguém apto a matemática sem ter preferência pela matemática?) determinarem sua grade currícular, não quis dizer eliminar as que ele não é bom, apenas diminuir suas cargas horárias em favor do que ele tem preferência. Tentar aprender algo que você não gosta é horrível. Porém esse é um sistema difícil de ser harmonizado com a rigidez da padronização total. Ambos são bons e fazem sentido, na minha opinião, mas não é possível escolher os dois.

-
[¹] Ressalva que faço quanto a esse trecho: Socalização/Privatização da educação/saúde/transportes é um debate muito mais em direção da ideologia do que da busca pela eficiência e qualidade de ensino. Eficiência na educação e estabelecimento da meritocracia devem ser bandeiras defendidas por qualquer cidadão, independente da sua ideologia política.

EDIT: Dando uma pesquisada, achei isso.
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I am the bone of my words.
Steel is my mind, and fire is my thoughts.
I have translated over a thousand phrases.
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Re: Educação no Brasil

Mensagempor CDX » 30/07/2012 (Segunda-feira), às 20h03min

Em 1º lugar, palmas pro Kon, que entendeu o maior problema da educação no Brasil. Estudar (bem como trabalhar) é visto, na melhor das hipóteses, como um "mal necessário". Pouquíssimos são os brasileiros com mais de 10 anos que entendem que aprender é natural e gostoso, e que você vai fazer isso na escola ou fora dela. Mas os métodos arcaicos de estudo são privilegiados ("senta e estuda pra passar na prova") e a disciplina é vista/usada como castigo, não um meio. Entre outras bizarrices na nossa cultura sobre a educação.

Mas não quero negar a teoria, Kon. =P Só não quero que ela apareça suprema como é hoje, e sim que ela e a prática sejam vistas em dialética como parte do cotidiano, não como experiências de cientistas malucos ou como antagonistas a la positivismo do século XIX.

Kael escreveu:Se isso não te convence, então não vá muito longe, pegue o fórum como exemplo: Os caras muito inteligentes que já estiveram e estão por aqui e pergunte se eles estão afim de serem professores.
Serve eu? XD Minha vontade de trabalhar em sala de aula vem desde o E.F., hahaha.

Sem comentários sobre a UNE. Tirando uma ou outra pessoa bem intencionada, piada total.

Kael, apesar de concordar com muitas coisas que você disse, penso um pouco diferente quanto à meritocracia. Acho superválida numa escola particular, numa pública ela se torna um terreno perigoso - embora, claro, possa ser aplicada com algumas cautelas. Essa lógica, se não tiver cuidado, cria uma segregação docente bizarra, e os orientadores acabam correndo tanto atrás de pesquisas e cursos pra botar no currículo que em pouco tempo você tem um monte de "professor" que despreza a profissão de lecionar ("um saco ter que dar aula, eu sou pesquisador!"), e qualquer faculdade pública hoje é exemplo disso.

Além de que "produzir mais" é um puta tiro pela culatra em 90% dos casos, porque avaliar a produção de um docente é mega complexo. Pra não me alongar muito, dois ou três bons textos que você procure no ramo da pedagogia sobre "avaliação" vão fazer melhor que eu.

Aero escreveu:Eu sinceramente acho que até a quinta série do Ensino Fundamental os estudantes deveriam aprender única e exclusivamente Português e Matemática.
E Educação Física. Não há educação decente na infância se a criança não tem onde gastar a energia. Simplesmente não há.

Seria o ideal se o currículo de Português/Matemática/Ed. Física até a quinta série fosse completamente reformulado, justamente pra focar (do aspecto mais básico a outros bem mais complexos, como resumos e fichamentos de capítulos de Machado de Assis e lógica aristotélica) na comunicação, entendimento, interpretação, lógica, raciocínio, crítica e leitura. Na minha opinião o ideal seria a não separação em duas disciplinas, mais o acompanhamento cooperativo de orientadores de português, de matemática e pedagogos. No caso da Ed. Física: valorizar a atividade física, o espaço aberto, variedade esportiva, dinâmica de grupo, honestidade no jogo e disciplina, em vez de regras do [insira um esporte com bola aqui] ou deixar jogar futebol enquanto lê o jornal da manhã.

Infelizmente, temos o currículo que temos, porque a maioria dos brasileiros - educadores inclusive - trata as crianças como retardados.

E me atirem pedras se quiserem, mas acho absurdo não aprendermos Direito desde a quinta série.

Sobre a questão de aumento brusco de matérias, Hagane, isso é só uma ilusão que o número de matérias dá. Se o currículo for estruturado com coesão (o que você aprende agora tem tudo a ver com o que você aprendeu ano passado) e se o sistema de avaliação do aprendiz for bem feito (nota com média por matéria pra passar de ano é meu ovo) a fluidez é natural.

Lucas, como já falei pro Kael, avaliação de ensino é um ramo complexo e traiçoeiro. Concordo que o ENEM é insuficiente (pra não dizer "ridículo") e os vestibulares não são melhores, mas isso não é novidade alguma: a avaliação da educação, no Brasil, é historicamente MUITO ruim. Não é muito, é MUITO. Mas gostei de algumas das suas ideias a esse respeito.

Sobre a padronização nacional: cara, isso tem vantagens MUITO fortes (você mesmo apontou) e desvantagens MUITO fortes, e isso é debate velho e sangrento na Educação Brasileira. Não é à toa que ela é historicamente pendular - ora é liberdade, ora padronização nacional; ora se valoriza os conhecimentos técnicos, ora os humanistas. Antes de se fazer uma mudança dessa escala, PRECISA ter uma avaliação sistemática e séria, com objetivos e metodologias bem delineados, da educação no país todo, pra estimar quais vão ser as consequências. Até onde vi, as poucas vezes que o Brasil fez avaliações assim foi pra saber como dominar a população, e Vargas é o primeiro exemplo que me vem na cabeça.

Só pra ilustrar uma possível desvantagem que de "facilmente contornável" não tem nada: os brasileiros não têm a mesma realidade. Se você tentar oferecer a mesma educação ao filho do trabalhador rural, que também trabalha quase sempre e possivelmente está no MST, ao adolescente faminto do sertão nordestino, ao adulto analfabeto que vive sob a mira de pistoleiros na Amazônia, ao adolescente que mora em região dominada pela milícia carioca e ao filho de deputado de Brasília, vão acontecer merdas inevitáveis. Sei que tu não propôs exatamente isso, eu radicalizei só pra ilustrar mesmo. Espero que tu possa ver que não é questão de discriminar, mas de entender a realidade do educando pra, então, educar a partir dela.

Pra quem teve saco de ler até aqui, recomendo fortemente que leiam um cara chamado Dermeval Saviani. Na minha opinião, ele é uma das maiores picas sobre a educação brasileira, e dá pra achar no Google desde livros enormes até pequenos discursos transcritos em textos.
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Re: Educação no Brasil

Mensagempor Link Hyrule » 07/04/2013 (Domingo), às 10h33min

Chapolink escreveu:
Kenshin Kurosaki escreveu:Só o aluno que quer realmente aprender aprende de verdade, e isso até em rede particular.
Ninguém pode fazer outra pessoa aprender algo significativamente. Se você acha que era assim antigamente precisa rever seus conceitos.


Será mesmo isso, acho que se fosse, teria muita gente que não aprende, já que cada um tem um tipo de educação..
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