Machismo, feminismo e paranauês de gênero

Venha aqui tomar um copo de leite e discutir sobre tudo que quiser (contanto que o assunto não esteja relacionado com uma das seções acima ou abaixo).

Re: Machismo, feminismo e paranauês de gênero

Mensagempor Anon » 08/03/2015 (Domingo), às 13h03min

Li um pouco o tópico (TL;DR) e minha opinião é:

Mulheres não sabem pelo que homens passam. Homens não sabem pelo que mulheres passam. Os motivos são óbvios. A Nawaki disse que as roupas femininas tem pouca diversidade; e as masculinas? Só vejo T-shirts com estampas e calças simples :P Tentar fingir que um gênero é o opressor absoluto e o outro é o oprimido absoluto é dar tiro no pé. Fingir que um gênero não oprime enquanto tudo que o outro faz é opressão é dar tiro no pé também.

O que me preocupa no feminismo é isso: se ficarmos nessa de que só pode haver um oprimido e um opressor, então tanto violência de mulheres contra homens, quanto a de homens contra homens, quanto a de mulheres contra mulheres (todas as três mais comuns que se imagina) são deixadas de lado em prol de um modelo limpinho e asseado de opressor vs oprimido. É a mesma coisa que ocorre nos movimentos anti-racistas: fingindo que o mundo é Opressor Branco vs Oprimido Negro, você deixa de lado todos os outros tipos de agressões e violências porque não cabe no seu modelo. O que não pode é o feminismo dizer que é pela igualdade de todas as coisas vivas e ignorar coisas assim: violência doméstica em casais lésbicos (e gays) tende a ser igual ou maior que a em casais héteros. Isso aliena mulheres abusadas por mulheres e meio que acaba com a ideia de sororidade.

Sim, essa minha opinião é bem diferente da que eu tinha uns quatro anos atrás.

Aliás, por que não podemos usar a palavra "sexismo" pra descrever coisas que pessoas sofrem por seu gênero no geral? Não necessariamente tudo é machismo, então sexismo é uma boa palavra.

Aliás, Luki4n, tem que tomar cuidado com essas estatísticas de estupro masculino porque em boa parte dos EUA (ou nos EUA todo, não lembro, ou nos principais órgãos federais), o abuso sexual de um homem por uma mulher é chamado de "feito a penetrar" e cai em "sexual assault", não em estupro. Era assim na lei brasileira há pouco tempo, mas mudou para que tanto o homem quanto a mulher possam ser vítimas e agressores.

Escrevi pouco porque estou com fome. Sou não-binário e fiz História (confiem em mim), me perguntem qualquer coisa.
Imagem
Anon
Guarda Real
Guarda Real

Avatar do usuário

Offline
 
Mensagens: 530
Registrado em: 15/02/2008 (Sexta-feira), às 13h46min
Localização: Hell de Janeiro, Capital.
Cash on hand: 1,592.85 Rupees

Re: Machismo, feminismo e paranauês de gênero

Mensagempor Luki4n » 08/03/2015 (Domingo), às 13h59min

Anon escreveu:Aliás, Luki4n, tem que tomar cuidado com essas estatísticas de estupro masculino porque em boa parte dos EUA (ou nos EUA todo, não lembro, ou nos principais órgãos federais), o abuso sexual de um homem por uma mulher é chamado de "feito a penetrar" e cai em "sexual assault", não em estupro. Era assim na lei brasileira há pouco tempo, mas mudou para que tanto o homem quanto a mulher possam ser vítimas e agressores.


Você está certa. A definição usual de estupro é agressão sexual com penetração. Em muitos países até recentemente sequer se admitia a possibilidade de um homem ser estuprado por outro homem. No entanto, isso vem mudando. Além disso, dá pra usar as estatísticas de boa porque não existe "sexual assault" aqui no Brasil, é tudo estupro. Por aqui, um beijo a força é estupro, vide a lei:

Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)

Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos.


Ou seja, tudo que é agressão sexual lá fora é estupro aqui.
Imagem
Luki4n
Oráculo de Luki4n
Oráculo de Luki4n

Avatar do usuário

Offline
 
Mensagens: 5323
Registrado em: 22/06/2003 (Domingo), às 16h19min
Cash on hand: 8,724.04 Rupees

Re: E lá se vai Wall text :L

Mensagempor nawakisan » 08/03/2015 (Domingo), às 14h08min

Luki4n escreveu:Obviamente eu não acho. Se o feminismo se definisse como um movimento feito por mulheres com o objetivo de defender os interesses das mulheres eu ficaria calado. Diria que é um nome perfeito que se encaixa como uma luva. Mas ele se proclama um movimento que luta pela igualdade de GÊNEROS. Entretanto, ele é focado na defesa de direitos femininos.

Você provavelmente conhece a origem do feminismo certo? Inicialmente o movimento era focado nas pautas que diziam respeito as mulheres: buscava-se direitos básicos como igualdade salarial e direito a voto, por exemplo. Embora já se falasse da quebra de esteriótipos acerca das mulheres. Depois disso, aderiu-se ao termo feminismo e o movimento se ampliou por basear-se na teoria feminista que analisava a influência de normas sociais (gender roles) na desigualdade entre os gêneros.
O feminismo de fato é um movimento que nasceu da busca de igualdade de gêneros; mas, não é um grupo único com regras e pautas pré-estabelecidas.
Eu definiria como uma ideia que foi sendo absorvida por diferentes grupos, com prioridades variadas...é disso que se vê a discordância e o radicalismo no feminismo moderno.


Luki4n escreveu:Erika Kokay (PT-DF) se diz feminista, mas na hora de fazer projeto de lei de licença-paternidade, coloca em 30 dias. Cadê meus outros 90 dias que o feminismo deveria defender? Bom demais ser feminista da boca pra fora. Quero minha igualdade de direitos que ela diz defender ao se intitular feminista.

Eu acredito que você saiba que projetos de lei precisam passar por votação para se tornarem...leis. Junto com a PL 879/2011, outros 20 projetos ainda estão em transmitação na Câmara de Deputados desde 2013. Todos projetos que recebem o apoio do movimento feminista e três deles sendo da autoria de mulheres.
Só que é um pouco complicado tornar a licença parental uma realidade no Brasil, quando os próprios homens mostram-se contra o projeto :P
Há cinco anos atrás um projeto semelhante tentava ser aprovado e pelo que se vê a situação continua a mesma.
De todo modo, o abaixo assinado continua existindo...


Luki4n escreveu:Um "artigo" de blog com 0 referências. Não é lá a melhor fonte pra justificar um argumento, né? Fora que o artigo já parte da premissa da superioridade, não a justifica. Péssima escolha.

Eu gosto de analogias e assim como o autor do artigo, creio que evitar o uso da palavra privilégio torna as pessoas mais tolerantes ao discutir feminismo.

Erro meu.


Luki4n escreveu:Lei Maria da Penha, Delegacia da Mulher, alistamento facultativo, aposentadoria

Discutir a Lei Maria da Penha/Delegacia da Mulher é um pouco complicado.

Se a Lei existe hoje é porque se vê como histórica/socialmente aceitável a violência doméstica. Foi preciso uma lei que punisse de maneira mais rígida o agressor, e garantisse proteção e apoio a vítima.Não é a melhor solução, mas, enquanto o país continuar imerso em uma cultura sexista, é a única maneira de garatir alguma proteção as mulheres.
E a propósito: a lei pode ser usada no caso de agressão a pessoas do mesmo sexo e embora não seja um consenso; também pode ser aplicada em casos de violência contra os homens.

Sobre a aposentadoria...existe um argumento que supostamente justifica a disparidade entre homens e mulheres.
Mas, eu -até o presente momento- não tenho uma opinião formada nesse aspecto.
Alistamento facultativo é algo que deveria ser instituído para ambos os gêneros...a ideia de alistamento militar obrigatória é absurda por si só. De todo modo, muitas mulheres lutam para fazer parte do exército/forças armadas. Acredito que assim como a licença paternidade, o alistamento militar facultativo para os homens é o tipo de coisa que ainda vai demorar para ser discutida e quiçá levada como proposta em projetos de lei. Mas, sempre existe a Objeção de consciência.


Uma coisa: o que você define como privilégios femininos não são pautas conquistadas ou defendidas pelo feminismo.
O feminismo em seu princípio lutou pela igualdade em direitos básicos. Não foi o feminismo (ou feministas) que definiram que mulheres devem se aposentar mais cedo, serem liberadas do serviço militar ou serem as únicas a ganharem licença remunerada.Mulheres não recebem privilégio especial porque o termo privilégio é aliado a ideia de poder e vantagem sobre os outros. A analogia com jogos vem a calhar pois demonstra o quanto o privilégio é algo imposto e não uma escolha pessoal. É por isso que se repete tanto a ideia de imposição social ou papeis de gênero.

E a propósito: estatísticas, fontes,números e mais alguns números esses do Brasil.

Paginas 13 e 14 especificamente.


Luki4n escreveu:De todo modo, tu parece achar justo que um nome que claramente remete aos homens seja usado nesse caso, apesar da SOCIEDADE como um todo ser machista, não ser privilégio de homem algum.

Então...Machismo é um termo hispânico e no geral costuma-se usar sexismo para descrever o tratamento desigual entre homens e mulheres.
A palavra Machismo não é tirada de contexto por hoje, ser atribuída ao sexismo. É o papel de gênero representado pelo Machismo que criou a cultura sexista que temos hoje no Brasil e América Latina. Cultura essa propagadada por homens que cresceram forçados a acreditar que tratar as mulheres como inferiores, é sinal de masculinidade.
Veja você, que o próprio cavalheirismo é uma das ideologias, dentro do papel de genêro Machismo. Sendo o Marianismo o contrário do Machismo.

E sim toda a sociedade é machista.

Mas, o termo que se usa para designar a cultura sexista nas sociedades humanas...bem, é um termo tão odiável quanto privilégio e infelizmente nenhuma analogia o torna mais acessível. Falo do Patriarcado. E não é a que a sociedade moderna seja patriarcal...mas, ainda temos estruturas patriarcais em nossas sociedades.

Então...quando quiser reclamar de algum suposto privilégio feminino (como a licensa maternidade, por exemplo): culpe o patriarcado :P


Luki4n escreveu:Pode olhar que o feminismo incentiva o ódio contra os homens.

Se as feministas odeiam algo esse algo seria o patriarcado ou Machismo como papel de gênero.

E as feministas radicais possivelmente odeiam homens...homens machistas.


Luki4n escreveu:Veja o caso de Alexandre Frota, acusado de ESTUPRO (crime extremamente grave e de alta reprovabilidade social) por causa de um mero relato. Detalhe que, pelo relato, é impossível chegar à conclusão que houve crime de estupro. Forçaram a barra simplesmente porque queriam, provavelmente porque ficaram enojados(as) com o tanto que o relato dele tratava mulher como objeto.

É verdade que é um relato nebuloso...mas, pela lei brasileira atual, qualquer tipo de relação sexual sem o consentimento da vítima, categoriza-se como crime de estupro. Isso sem mencionar que no relato dele, não se tem uma noção clara de em que momento a vítima ficou desacordada.

Dá até para classificar como estupro de vulnerável.

Não é exagero algum acusa-lo de estupro, ele praticamente admitiu isso em rede nacional sabendo que o relato dele poderia ocasionar em alguma polêmica. E de todo modo, o crime de estupro exige provas e um julgamento por parte do réu. Como ele justificou o relato afirmando que era uma ''piada'', a situação se encerrou sem mais alardes.


Luki4n escreveu:Pegue ainda o caso do menino que foi espancado pela mãe porque gravou uma transa com a namorada e o vídeo vazou. Ele não foi responsável pelo vazamento, mas a mãe surrou ele (com pancadas de tamanco na cara, algo que deve doer bastante) e gravou a surra. O vídeo viralizou e várias e VÁRIAS mulheres demonstraram apoio à mãe, claramente apoiando a violência contra o homem. Mas como é contra o homem, fica todo mundo calado. Detalhe que se pra mulher um vídeo de sexo é altamente prejudicial, o equivalente* masculino disso é um vídeo brochando ou levando uma surra da mãe.

Acho errada a atitude da mãe.

É o tipo de coisa que tem respaldo na lei e que pode ser denunciado.
Mas, gostaria de saber em que momento o fato de algumas mulheres terem apoiado esse ato, configura isso como um ódio das feministas aos homens.
Basicamente:

    > nem toda mulher é feminista.
    > sessão de comentários em portal de notíciais na internet, não é fonte confiável.
    > vários homens também apoiaram a atitude da mãe.

Luki4n escreveu:Pois a mim me parece que essa é a regra. Se for comparar, parece haver muito mais fontes feministas dizendo que mulher não pode ser machista do que o contrário. [...]DISCURSO ENSINADO POR HOMENS. Isso aí. Uma mulher jamais pode reproduzir um discurso machista de outra mulher, só de homens. Porque ninguém liga pra lógica, o importante é culpar os homens pela sociedade machista.

Sabe a ideia de patriarcado? Então.

O Machismo é um papel de gênero, que foi defendido por quem estava no poder ao longo da história: é o pessoal que até hoje dificulta a entrada das mulheres no serviço militar, é a falta de representatividade feminina na política, são os governos que até hoje impedem a inserção feminina no mercado de trabalho ou escolas.

E quem esteve na liderança das sociedades durante todo esse tempo?

Em resumo: mesmo nas sociedades modernas ainda temos resquícios das estruturas patriarcais e nessa hierarquia social os homens são os mais beneficiados. Não é uma escolha individual, mas uma coisa que acontece. As mulheres recebem sim certas ''vantagens'' (você as listou muito bem) mas, elas não veem a troco de nada: geralmente se resumem em se submeter a tratamentos desiguais e por muitas vezes, misóginos.

E é basicamente por isso, que se vê as mulheres como reprodutoras de um discurso sexista e não as criadoras desse discurso. O Machismo não foi uma ideia criada por mulheres, mas, foi reproduzida por elas...porque é a sociedade -Machista- que ensina as pessoas e as categoriza em papeis de gênero.


Luki4n escreveu:Detalhe que eu nem procurei muito, só digitei um "mulher machista pode?"

E no mesmo site onde você achou essa informação:

* Existem divergências dentro do movimento feminista em algumas dessas questões e eu, de forma alguma, falo pelo movimento inteiro – deixo claro que estas são minhas opiniões.

Procurar com mais cuidado uma informação, é sempre positivo.

E para sua pergunta: Mulher machista pode sim, essa explicação toda que eu escrevi ali em cima é uma das visões feministas, não a regra.
Mas, se mulheres que são oprimidas pelo machismo, são machistas...então um negro pode ser racista?


Luki4n escreveu:Ainda que isso fosse verdade e homens tivessem posição privilegiada em relação às mulheres, cabe às feministas provar isso. E não se prova focando na mulher, e sim comparando ambos.

Concordo.

Luki4n escreveu:Violência doméstica, por exemplo, em seu total é 50% contra as mulheres e 50% contra os homens.

Então eu procurei esses dados na internet. E é um pouco difícil de aceitá-los como incontestáveis dado o fato de que são estatísticas especificas de um país (Grã-Bretanha) e que o próprio relatório não dá muitos detalhes acerca do tipo de violência doméstica ou das circunstâncias em que isso foi relatado. Ou mesmo o impacto dessa violência nas vítimas.

Em estatísticas globais,a violência as mulheres é quase uma pandemia.

Se os homens são a maioria das vítimas de homídios e atos violentos?
São, inegavelmente.
Se os homens também são vítimas de violência doméstica?
Claro, e não se deve ignorar esse fato.

A questão não é quem sofre mais, mas, antes como evitar que isso aconteça.


Luki4n escreveu:Além disso, mulheres que agridem homens se livram de uma prisão mais fácil do que homens que agridem mulheres.

Não é o que dizem os números.

E um ponto interessante: no caso da violência doméstica contra homens, as mulheres costumam ser presas muito mais rápido (em menos de três ocorrências, enquanto os homens só são presos em mais de oito ou dez) do que os homens. E existem diferenças no tipo, circunstância e impacto da violência doméstica, nos casos em que a mulher é a agressora.


Luki4n escreveu:Além disso, estudo recente (http://www.slate.com/articles/double_x/ ... ulted.html) mostra que pelo menos 38% das vítimas de estupros seriam homens. Detalhe, a estatística vem subindo, já que aparentemente os homens estão criando mais coragem pra admitir essas coisas. Desses 38%, cerca de metade teriam sido cometidos por mulheres. Sim, mulher também estupra, embora provavelmente não na mesma proporção (até por razões óbvias).

Uh...e o fato de homens também serem vítimas de estupro afeta a luta contra a violência sexual de que maneira?
É verdade que as mulheres sofrem violência sexual em uma maior proporção e é por causa disso que as campanhas e órgãos de defesa se focam nelas; mas, isso não significa que os homens não sejam amparados pelas leis. O que impede a visibilidade e até minimiza os casos de estupro onde os homens são as vítimas, não é o feminismo, mas, a sociedade que vê com humor um problema tão sério.


Luki4n escreveu:Enfim, BUSQUEM CONHECIMENTO. Quem não correr atrás vai passar a vida acreditando nas coisas que o feminismo prega, muitas delas inverdades (como o mito que até hoje se repete de mulher ganhar 77% do salário do homem) e outras apenas meia verdades.

Acontece que não é mito.

A porcentagem de disparidade nos salários entre homens e mulheres, varia em cada país. No Brasil por exemplo, essa porcentagem é de 50%.
Já nos Estados Unidos, a disparidade é maior, com mulheres ganhando os tais 77%.

O movimento feminista tem lá suas polêmicas e radicalismos, mas, não é uma grande mentira inventada contra os homens, ou qualquer exagero parecido.
É um movimento válido e necessário e que beneficia tanto a homens quanto a mulheres.


Luki4n escreveu:Acreditava cegamente que as mulheres eram inferiores na sociedade. Hoje não concordo mais.

E as mulheres são vistas como inferiores na sociedade. Muito do que você afirmou como ''mentira'' são estatísticas de países desenvolvidos e democráticos.
E olha só: machismo/sexismo existe nesses países também...e quanto as outras regiões do planeta onde a violência contra as mulheres alcança proporções absurdas e ainda sim é vista com normalidade por governantes e pela população em geral?


CDX escreveu:[...]por mais que esse 'feminismo não radical e em prol da igualdade' exista, ele não nos bate à porta. Ele não aparece pros homens. Jamais vi uma mulher falar pra um homem 'ei, sou de um grupo feminista que tá organizando uma passeata, vem com a gente que é uma oportunidade pra você reivindicar licença-paternidade maior e o fim do alistamento obrigatório'.

Bem esse feminismo existe.

A internet está aí, possibilitando o contato entre as pessoas e auxiliando esses movimentos sociais a encontrarem pessoas dispostas a lutarem pela igualdade entre gêneros. Mas, não são as feministas que precisam convidar os homens a fazerem parte do movimento...se o feminismo luta contra a desigualdade, contra as opressões dos papeis de gêneros (que os homens também sofrem) contra a violência; isso passa a ser uma luta de todos.

Agora existem prioridades e qualquer feminista responderia isso com um ''culpe o patriarcado'', e não estaria exatamente errada. As feministas não odeiam os homens e muitos grupos feministas incentivam os homens a fazerem parte, não na liderança, mas, como apoiadores e aliados. O próprio movimento hoje é muito mais inclusivo defendendo direitos da comunidade LGBT, por exemplo.

É importante lembrar que o feminismo é na verdade uma série de grupos que acreditam na igualdade entre os gêneros, embora as pautas e a forma como defende-las, varie.
Mas, se serve de consolo, a grande maioria das feministas não é misândrica. E o FEMEN não é exatamente o melhor exemplo de como ser feminista.


CDX escreveu:Vocês têm que entender [...] que nós também somos mais semelhantes do que vocês imaginam e, assim como vocês, existem coisas inerentes ao nosso gênero. [...]Essa mentalidade de que homem é uma raça escrota que só fode com a vida de vocês (que, eu sei, muitos homens reforçam quando fazem babaquices no transporte público) é um passo em direção à desigualdade e não à igualdade.

Mas, essa mentalidade não é uma regra. Acredito que seja difícil e até incômodo ouvir alguma feminista declarar que os homens tem mais privilégios do que as mulheres, ou que são os homens que oprimem as mulheres. O que acontece é que no meio das críticas ao feminismo sempre se perde o ponto onde os homens são vistos como grupo que é ensinado a ser Machista. As feministas não são contra os homens, mas, contra o ideal que se cria do que é um homem (e isso está repetitivo :slow: ) o papel de gênero, que torna os homens Machistas.

Pense no Machismo como uma caixinha, onde os homens são colocados quando nascem. Você cresce e em algum momento a caixinha vai se tornar pequena para você, mas, ainda sim é você que determina se vai se acomodar a caixinha ou lutar por um espaço maior.

Daí que todo mundo em algum momento da vida é colocado na caixinha.
E para algumas pessoas se acomodar a caixinha não é lá tão fácil ou benéfico (e aqui entra a ideia de privilégio)

Criticar as caixinhas (o Machismo, o Papel de gênero), é umas das melhores formas de discutir igualdade.


CDX escreveu:Quando um homem tem medo de assumir que foi estuprado não é por 'machismo', é pura e simplesmente porque ele tá com medo. De ser discriminado por ser homem e ter sido estuprado. [...]Não consigo engolir essa de que o homem estuprado é discriminado porque 'quem zoa ele é machista' ou que ele não quer assumir 'porque tá com a mentalidade machista que a sociedade impôs nele'. Ele é discriminado porque quem tá discriminando está agindo preconceituosamente e só.

E o preconceito existe porque a sociedade em geral acha que funcionamos melhor com rótulos. Caixinhas e definições para todos os lados.
E é quando vemos alguém que é ''diferente'', que não entra na caixinha é que o preconceito começa.
Porque o preconceito é o medo da diferença.
E medo, todos nós temos.

De todo modo, existe uma ilustração bem interessante que demonstra como o sexismo é maléfico para todos e porque os homens também precisam do feminismo.


CDX escreveu:Ambas as palavras (machismo e feminismo) representariam ao mesmo tempo as peculiaridades de cada gênero e ao mesmo tempo a necessidade de igualdade em questão de direitos e responsabilidades.

Os termos machismo e feminismo não são similares em nenhum aspecto.
O Machismo é opressivo para homens (que se sentem 'moldados' em uma série de esteriotipos) e para mulheres que passam a ser vítimas de um comportamento machista.
De verdade: só se usa o termo Machismo em países da América Latina/Brasil.

Já o feminismo é um nome de um movimento feito -inicialmente- para defender os interesses das mulheres.
A origem do termo é um tanto nebulosa, e hoje com o movimento sendo mais igualitário e inclusivo, o termo feminismo possa não ser lá o nome ideal.

Mas, o termo em si não é tão relevante quanto o significado por trás do movimento.




Obs*
A publicação (sem consentimento) de um vídeo intimo de uma mulher na internet, não se compara com o vídeo do garoto sendo espancado pela mãe.
Ambos os casos são deploráveis é verdade, mas, as reações ao vídeo e a duração dessas reações é diferente a depender do gênero da vítima.
E a lei para estupro/violência sexual aqui no Brasil, é bem rígida: é perfeitamente possível acusar alguém de estupro, por causa de um beijo forçado,por exemplo.
Imagem
nawakisan
Pirata do Great Sea
Pirata do Great Sea

Avatar do usuário

Offline
 
Mensagens: 250
Registrado em: 28/09/2010 (Terça-feira), às 15h40min
Cash on hand: 1,671.39 Rupees

Re: Machismo, feminismo e paranauês de gênero

Mensagempor CDX » 08/03/2015 (Domingo), às 20h10min

Anon escreveu:Mulheres não sabem pelo que homens passam. Homens não sabem pelo que mulheres passam. Os motivos são óbvios.[...] Tentar fingir que um gênero é o opressor absoluto e o outro é o oprimido absoluto é dar tiro no pé. Fingir que um gênero não oprime enquanto tudo que o outro faz é opressão é dar tiro no pé também.

O que me preocupa no feminismo é isso: se ficarmos nessa de que só pode haver um oprimido e um opressor, então tanto violência de mulheres contra homens, quanto a de homens contra homens, quanto a de mulheres contra mulheres (todas as três mais comuns que se imagina) são deixadas de lado em prol de um modelo limpinho e asseado de opressor vs oprimido.

Imagem

O grande problema que eu tenho com as palavras 'machismo' e 'feminismo' é esse. Uma pessoa que usa elas no sentido tradicional falaria simplesmente 'todas essas agressões são devido ao machismo, que tenta impôr papeis de gênero'. E na verdade o buraco é muito mais em baixo.

Nawaki... No fim das contas eu tenho a impressão de que tu concorda comigo mais do que pensa. :XD: O lance é ser contra a discriminação e a favor da igualdade de direitos e de responsabilidades. Se alguém chama isso de 'machismo' ou 'feminismo' é só uma questão boba de nomenclatura. Embora eu tenha curtido a ideia do Anon de chamar tudo de sexismo. Imagem

Só peço às mulheres que não nos apontem o dedo 'seus opressores de merda' quando a gente reivindica aposentadoria igual e licença-paternidade maior, como elas fazem tanto, mesmo eu sabendo que não são todas.
Imagem
CDX
Maquinista Real
Maquinista Real

Avatar do usuário

Offline
 
Mensagens: 1222
Registrado em: 28/05/2005 (Sábado), às 13h31min
Localização: Serra da Mantiqueira
Cash on hand: 2,423.15 Rupees

Re: Machismo, feminismo e paranauês de gênero

Mensagempor altherest » 08/03/2015 (Domingo), às 22h36min

Putz, mas sem alistamento obrigatorio a gente não ia ficar sem gente no exercito? D:
Imagem
altherest
Controlador das Estações
Controlador das Estações

Avatar do usuário

Offline
 
Mensagens: 798
Registrado em: 12/07/2011 (Terça-feira), às 20h40min
Localização: hyrule
Cash on hand: 1,125.66 Rupees

Re: Machismo, feminismo e paranauês de gênero

Mensagempor Anon » 08/03/2015 (Domingo), às 22h50min

altherest escreveu:Putz, mas sem alistamento obrigatorio a gente não ia ficar sem gente no exercito? D:

Não, o alistamento como praça das FA costumam ser a salvação de quem precisa de um dinheiro/oportunidade urgentemente. Até eu já pensei em entrar como Cabo pra Marinha :P Mas preferi deixar pra terminar a faculdade e tentar ingressar como oficial.
Imagem
Anon
Guarda Real
Guarda Real

Avatar do usuário

Offline
 
Mensagens: 530
Registrado em: 15/02/2008 (Sexta-feira), às 13h46min
Localização: Hell de Janeiro, Capital.
Cash on hand: 1,592.85 Rupees

Re: Machismo, feminismo e paranauês de gênero

Mensagempor CDX » 08/03/2015 (Domingo), às 23h41min

altherest escreveu:Putz, mas sem alistamento obrigatorio a gente não ia ficar sem gente no exercito? D:

As autoridades das forças armadas dizem que sim, mas o que mais tem por aí é gente que precisa da grana e que quer seguir carreira militar. :P
Imagem
CDX
Maquinista Real
Maquinista Real

Avatar do usuário

Offline
 
Mensagens: 1222
Registrado em: 28/05/2005 (Sábado), às 13h31min
Localização: Serra da Mantiqueira
Cash on hand: 2,423.15 Rupees

Re: E lá se vai Wall text :L

Mensagempor Luki4n » 09/03/2015 (Segunda-feira), às 13h08min

nawakisan escreveu:
Luki4n escreveu:Erika Kokay (PT-DF) se diz feminista, mas na hora de fazer projeto de lei de licença-paternidade, coloca em 30 dias. Cadê meus outros 90 dias que o feminismo deveria defender? Bom demais ser feminista da boca pra fora. Quero minha igualdade de direitos que ela diz defender ao se intitular feminista.

Eu acredito que você saiba que projetos de lei precisam passar por votação para se tornarem...leis. Junto com a PL 879/2011, outros 20 projetos ainda estão em transmitação na Câmara de Deputados desde 2013. Todos projetos que recebem o apoio do movimento feminista e três deles sendo da autoria de mulheres.
Só que é um pouco complicado tornar a licença parental uma realidade no Brasil, quando os próprios homens mostram-se contra o projeto :P
Há cinco anos atrás um projeto semelhante tentava ser aprovado e pelo que se vê a situação continua a mesma.
De todo modo, o abaixo assinado continua existindo...


HAHAHAHAHHAHAHAHAHA

UM DEPUTADO (vamos frisar novamente: UM) fala uma coisa, tu fala que OS HOMENS são contra. Ok, ok. Somos contra mesmo. Todo homem é contra ter folga do trabalho. Fala sério, né? Os homens jamais irão ter licença-paternidade longa senão o mundo para, mas quase todos são a favor, pode ter certeza disso, basta pensar.


nawakisan escreveu:
Luki4n escreveu:Lei Maria da Penha, Delegacia da Mulher, alistamento facultativo, aposentadoria

Discutir a Lei Maria da Penha/Delegacia da Mulher é um pouco complicado.

Se a Lei existe hoje é porque se vê como histórica/socialmente aceitável a violência doméstica. Foi preciso uma lei que punisse de maneira mais rígida o agressor, e garantisse proteção e apoio a vítima.Não é a melhor solução, mas, enquanto o país continuar imerso em uma cultura sexista, é a única maneira de garatir alguma proteção as mulheres.


Sintomático. Eu faço todo um post pra dizer que a luta pela igualdade é importante, mas não podemos esquecer dos homens. Aí lê o que tu escreveu. Tu falou de violência doméstica quase como se apenas mulheres sofressem. Você diz que precisava de uma lei que punisse de maneira rígida o agressor e garantisse a proteção e apoio à vítima. Logo depois de "é a única maneira de garantir alguma proteção às mulheres", ao invés de dizer "...alguma proteção às vítimas". Além do mais, a lei não resolve nada, é uma lei totalmente ridícula. Se você visse sua aplicação na prática, dificilmente defenderia essa lei que costuma ser alvo de piadas nas promotorias por aí. A lei é tão incrível e privilegiada que permite à mulher expulsar o homem de casa sem NENHUMA evidência de qualquer tipo de agressão. Faz ideia do quão bizarro é isso? Eu repito pra fixar: sem NENHUMA evidência de agressão além do depoimento da mulher (que não é evidência de nada, afinal ela é interessada). Já cansei de ver isso acontecer. Agora imagine: você é um homem sofrendo violência doméstica. Tu vai na delegacia denunciar tua mulher? Se ela tem o poder de te expulsar de casa quando ela bem entender, com o amparo da lei? Percebe como essa lei fodeu os homens que passam pela mesma situação de violência que as mulheres?


nawakisan escreveu:E a propósito: a lei pode ser usada no caso de agressão a pessoas do mesmo sexo e embora não seja um consenso; também pode ser aplicada em casos de violência contra os homens.


Óbvio que pode ser usada para pessoas do mesmo sexo, mas apenas em casos que a vítima é mulher. Não, a lei não pode ser usada para homens. Primeiro, pelo motivo óbvio: a própria lei limita seu uso apenas para mulheres. É claro, isso é injusto e por isso alguns juristas tentam corrigir isso, ignorando totalmente a letra da lei para tanto. Mas no fim não vinga, pois quem tem a última palavra nesse caso é o STJ e ele tem posição firmada no sentido de não aplicar a Lei Maria da Penha para homens. Procurar com mais cuidado uma informação, é sempre positivo.


nawakisan escreveu:
Luki4n escreveu:Veja o caso de Alexandre Frota, acusado de ESTUPRO (crime extremamente grave e de alta reprovabilidade social) por causa de um mero relato. Detalhe que, pelo relato, é impossível chegar à conclusão que houve crime de estupro. Forçaram a barra simplesmente porque queriam, provavelmente porque ficaram enojados(as) com o tanto que o relato dele tratava mulher como objeto.

É verdade que é um relato nebuloso...mas, pela lei brasileira atual, qualquer tipo de relação sexual sem o consentimento da vítima, categoriza-se como crime de estupro. Isso sem mencionar que no relato dele, não se tem uma noção clara de em que momento a vítima ficou desacordada.

Dá até para classificar como estupro de vulnerável.

Não é exagero algum acusa-lo de estupro, ele praticamente admitiu isso em rede nacional sabendo que o relato dele poderia ocasionar em alguma polêmica. E de todo modo, o crime de estupro exige provas e um julgamento por parte do réu. Como ele justificou o relato afirmando que era uma ''piada'', a situação se encerrou sem mais alardes.


Ok, vou confessar, fiquei puto porque você disse que eu precisava me informar mais, sendo que tudo que eu postei era baseado em referências (apesar de eu não ter citado, simplesmente pra me poupar o trabalho) e ia te esculachar bastante só pelo prazer de mostrar que você é incapaz de se informar bem. Mas vou tentar fazer isso de maneira polida.

Quando eu disse que você postou um texto sem referências e você fez um post bonito cheio de referências, certamente mostrou boa vontade. Mas não basta usar referências. Tem que lê-las, informar-se e entender o que está falando.

Nesse caso você claramente usou referências que contradizem o que você disse. Não, não é qualquer tipo de relação sexual sem consentimento da vítima que caracteriza estupro. Pelo amor de Deus, não diga essa besteira. A lei não diz isso (diferentemente do que você diz). Aliás, O PRÓPRIO ARTIGO QUE VOCÊ POSTOU NÃO DIZ ISSO, SANTO DEUS!!!! Pesquisei pela palavra consentimento no artigo e ela tá sempre acompanhada de "violência ou grave ameaça" na mesma frase, assim como na lei (ler art. 213 do Código Penal que eu postei no meu último post). É profunda ignorância repetir o mantra sexista de que sem consentimento é estupro. A lei não diz isso, a doutrina não diz isso e nem a jurisprudência diz isso. O caso em que o consentimento é irrelevante é apenas o de estupro de vulnerável, por razões óbvias.

Isso é o que Luiz Régis Prado, um dos mais conceituados doutrinadores da área Penal, diz no seu livro:

O delito de estupro exige, para a sua configuração, um manifesto dissenso da vítima expresso pela sua resistência à cópula
camal ou ao ato libidinoso, que somente é superada pelo uso da violência ou da grave ameaça. Isso não significa que se exija que a vítima atue com heróismo, bata que exprima o seu não consentimento de modo objetivo e com clareza. O exame do caso concreto deve elucidar eventuais dúvidas, visto que hã de ser levado em conta o estado pessoal da vítima e do agente, bem como as circunstâncias factuais, entre outros fatores.


Não é estupro APENAS sem consentimento. A ausência de consentimento tem que ser expressa, objetiva e CLARA, afinal, a pessoa que está praticando o sexo tem que ter total noção que a outra pessoas não quer praticar o ato.

Só pra encher o saco, vou postar de novo sua frase aqui: "Procurar com mais cuidado uma informação, é sempre positivo". E digo mais: leia a referência que você está colocando antes de usá-la como referência. Mais pra frente você vai ver que fez isso de novo, mas chegaremos lá.

No caso de Frota, não houve essa ausência, então não é estupro. Não, COM CERTEZA não seria estupro de vulnerável, por razões óbvias. O ato sexual começou e no vídeo não houve menção à recusa por parte da mulher. Se ela não manifestou expressamente que não queria e adormeceu no meio do ato sexual, é fato atípico. Se por um acaso ela tivesse se manifestado contrariamente ao sexo, não seria estupro de vulnerável, mas ESTUPRO, pois ele teria usado de violência que teria feito inclusive ela adormecer. Fosse como fosse, o único jeito de ser estupro de vulnerável seria se ele tivesse primeiro colocado ela pra dormir e depois iniciado o ato sexual, coisa que não aconteceu.

De todo jeito, qualquer eventual dúvida que se tivesse sobre o caso, deveria se presumir que o caro é inocente, não? Presunção da inocência e tal. Não acusar o cara de ESTUPRADOR na mídia, o que é totalmente absurdo. É irresponsabilidade total acusar alguém de crime sem provas.


nawakisan escreveu:
Luki4n escreveu:Detalhe que eu nem procurei muito, só digitei um "mulher machista pode?"

E no mesmo site onde você achou essa informação:

* Existem divergências dentro do movimento feminista em algumas dessas questões e eu, de forma alguma, falo pelo movimento inteiro – deixo claro que estas são minhas opiniões.

Procurar com mais cuidado uma informação, é sempre positivo.



Huehauehauheuae, vou colocar de novo o que eu disse:

"Pois a mim me parece que essa é a regra. Se for comparar, parece haver muito mais fontes feministas dizendo que mulher não pode ser machista do que o contrário. Veja só essa e sua propagação de ódio aos homens".

Eu nunca disse que ela falava pelo movimento inteiro, vamos interpretar direito aí, né. O que eu disse é que numa pesquisa rápida do google as quatro primeiras fontes feministas que eu vi eram dessa opinião e usei isso pra justificar que pra mim parecia regra, não exceção. Não que fosse "regra", mas sim uma visão majoritária de ativistas do movimento feminista. Esse foi meu argumento. Não peguei uma fonte e usei pra representar o movimento feminista inteiro. A questão é que eu não tenho tempo/disposição pra fazer um levante sobre isso, então fiz uma pesquisa rápida e usei como argumento. Não é algo muito preciso, mas certamente pesou em meu favor.


nawakisan escreveu:
Luki4n escreveu:Além disso, mulheres que agridem homens se livram de uma prisão mais fácil do que homens que agridem mulheres.

Não é o que dizem os números.

E um ponto interessante: no caso da violência doméstica contra homens, as mulheres costumam ser presas muito mais rápido (em menos de três ocorrências, enquanto os homens só são presos em mais de oito ou dez) do que os homens. E existem diferenças no tipo, circunstância e impacto da violência doméstica, nos casos em que a mulher é a agressora.


Vou lhe dar uma dica: nunca, NUNCA acredite em um artigo jornalístico que interpreta um estudo. Jornalistas são seres tapados (com exceções, claro) e não sabem interpretar estudos, então costumam falar muita besteira nesses casos. Ainda que eles interpretem direito e falem tudo certo, não será confiável já que eles erram várias vezes.

Não, mulheres não costumam ser presas mais rápido. Costumam ser presas em menos ocorrências. O que é meio que irrelevante. Pela natureza masculina é de se esperar que seja normal que o homem só chame a polícia em casos mais graves (e provavelmente menos vezes que as mulheres). Além disso, os seus números mágicos estão errados e você saberia disso se tivesse se dado ao trabalho de ir atrás do estudo que o artigo menciona:

As might be expected from the nature and severity of the domestic violence incidents, there were more arrests overall of men than of women. (...) During the six year tracking period 47 (73% of all male perpetrators) and 36 women (56% of all female perpetrators) were arrested (...)


Essa questão de número de ocorrências não importa até porque nem sempre uma ocorrência vai justificar uma prisão. Aqui no Brasil mesmo, só se justificaria em caso de prisão em flagrante. Agora veja os números DO PRÓPRIO ESTUDO QUE VOCÊ CITOU. Mais homens presos que mulheres. Você ainda tem alguma dúvida que eu estava certo desde o início? 73% de homens contra 56% de mulheres.


nawakisan escreveu:
Luki4n escreveu:Enfim, BUSQUEM CONHECIMENTO. Quem não correr atrás vai passar a vida acreditando nas coisas que o feminismo prega, muitas delas inverdades (como o mito que até hoje se repete de mulher ganhar 77% do salário do homem) e outras apenas meia verdades.

Acontece que não é mito.

A porcentagem de disparidade nos salários entre homens e mulheres, varia em cada país. No Brasil por exemplo, essa porcentagem é de 50%.
Já nos Estados Unidos, a disparidade é maior, com mulheres ganhando os tais 77%.


Santo Deus...

Eu digo que é mito, tu teve todo o tempo do mundo pra ir no google checar a informação, mas ainda assim tu ao invés de checar simplesmente continuou acreditando e procurou fontes para embasar isso...

Vou até colar a frase aqui de novo só pela chateação: "Procurar com mais cuidado uma informação, é sempre positivo".

Não precisa de muito esforço pra encontrar VÁRIAS fontes desmentindo esse mito. Inclusive, fontes FEMINISTAS. Várias e várias delas. Vídeos no youtube, artigos de jornal, estudos científicos e por aí vai. Eu lhe dou uma fonte: [url=http://www.huffingtonpost.com/christina-hoff-sommers/wage-gap_b_2073804.html]Wage Gap Myth Exposed -- By Feminists[/quote]. Talvez você acredite nessa, já que a fonte é feminista...

Apenas pense o seguinte: se mulheres ganham tão menos que homens pelo mesmo trabalho, por que não existe nenhum empresário visionário que fez empresa apenas com empregadas mulheres, aproveitando-se do wage gap, e aumentando a margem de lucro?


Ignorei o resto que não era interessante/relevante responder pro post não ficar gigantesco.

Mas te dou um conselho de verdade: quando for se informar sobre algo sobre o qual você já tem opinião, sempre vá atrás da informação supondo que você está errada. É o melhor jeito de manter a cabeça aberta.
Imagem
Luki4n
Oráculo de Luki4n
Oráculo de Luki4n

Avatar do usuário

Offline
 
Mensagens: 5323
Registrado em: 22/06/2003 (Domingo), às 16h19min
Cash on hand: 8,724.04 Rupees

Re: Machismo, feminismo e paranauês de gênero

Mensagempor Anon » 09/03/2015 (Segunda-feira), às 14h08min

Um artigo legal da mamãe Christina Hoff-Sommers é esse, pra complementar: Cinco mitos feministas que não morrerão tão cedo. O livro dela "Who Stole Feminism?" é muito legal para lermos uma crítica do feminismo vinda de uma feminista. Se alguém quiser o livro eu tenho, mas está em inglês e em pdf. Outro bom também é o "Heterophobia", da Daphne Patai (não torçam o nariz por causa do título, ok).

O problema com estatísticas é que a maioria desses estudos moldados por ideologia costumam ou maquiar números ou ignorar variáveis. Não digo nem do feminismo só, mas qualquer pessoa que faça um estudo e que queira, subconsciente ou conscientemente provar um ponto, torturará os números para que eles dizem o que você quer que digam. Por isso temos sempre que ver a metodologia do estudo.

Lembram do vexame de "65% dos brasileiros acham que a mulher deve ser estuprada se usar roupa curta"? Os números estavam errados, a metodologia estava erradíssima, mas quando o pedido de desculpas saiu, já tinha rodado o mundo. Hoje em dia no Tumblr vejo o mesmo erro repetido: o mea culpa foi tarde demais. E então os principais blogs feministas já tinham passado a notícia como "65% dos homens brasileiros acham que a mulher deve ser estuprada se usar roupa curta", começaram a campanha do "Não mereço ser estuprada" e, depois do mea culpa, tentaram cobrir a falha da pressa com "é, mas 1/4 da população ainda é muita coisa", o que também é uma falha da pressa porque a pesquisa original não falava sobre "estupro" e sim "ataque", o que são duas coisas bem, bem diferentes. Esse erro inocente do IPEA foi um grande desserviço à população.

Luki4n escreveu:Mas te dou um conselho de verdade: quando for se informar sobre algo sobre o qual você já tem opinião, sempre vá atrás da informação supondo que você está errada. É o melhor jeito de manter a cabeça aberta.


THIS.

Sempre desconfie dos seus favoritos. Sempre.

Mas sério, meu problema está com como o movimento feminista está configurado hoje. Vejo muita transfobia, homofobia, racismo, sexismo (contra homens E mulheres, putz, cês não sabem como esse negócio de "mulheres são livres pra fazerem suas próprias escolhas" some quando são as escolhas que as feministas não aprovam) rolando, ignorado pela falácia do escocês ("se ela diz isso, não é feminista de verdade". Então quem é? E por que deixam as pessoas que dizem isso saírem livres, leves e soltas?). Sou 100% a favor da igualdade de gênero e dos pressupostos básicos feministas, mas preferi me distanciar do movimento por causa disso.

EDIT, pra voltar ao assunto principal:

Trabalhei numa livraria por um mês e tem uma sessão SÓ pra sex-sellers. 50 tons de Cinza vendia feito água na Cantareira (rsrs). Todos os dias vinham mulheres e homens comprar, acho que numa proporção de 75% mulheres e 25% homens (contando os casais). O boom desse livro é esquisito porque é bem raio gourmetizador dos Harlequin de banca de jornal, mas provavelmente tem a ver com uma visão um pouco mais liberada da sexualidade feminina atualmente - o que AINDA é surreal porque você vê a mamãe de 40 anos lendo putaria hardcore com "vou treinar o seu cuzinho" no metrô, às sete da manhã, com um bebê no colo, super tranquila. A coisa mais engraçada que já vi foi uma família parada perto do caixa: a mãe com o livro na mão, duas filhas pré/adolescentes olhando dos lados, e o pai olhando por cima, decidindo se iam comprar ou não.

Também é fodidamente popular com pré/adolescentes, a um ponto que me assusta: vi uma menina que não devia ter mais de 13 anos explicando pro pai de uns 50 todo o enredo, todas as putaria, tudo, super de boa, na livraria. Mas vamos aos fatos: 50 tons (e esses sexsellers) são escritos por mulheres, não por homens, para um público feminino. O enredo é sempre o mesmo: "fulana era uma virgem inocente, até que conheceu o Sr. Dominador, que quer seu corpo nu por algum motivo mas isso aqui é FICÇÃO NÉ GENTE, e agora a srta. Fulana vai descobrir que ele tem um passado sombrio e por isso ele é mau e sedutor assim". Então, é uma fantasia feminina de poder até normal: de ser desejada, de ter o poder para curar um homem, de ter sexo selvagem pseudo-risqué, porque nada nunca é perigoso: na vida real essas situações seriam perigosíssimas (tipo Edward Cullen vendo a Bella Swan dormir em Crepúsculo), mas na ficção tudo é possível, tudo é asseado. Então acho que também tem a sensação de perigo controlado, como praticar um esporte radical.

Não sei se as mulheres no geral realmente acham que esse livro é saudável. Mas pelas leis do livre mercado em nome de Mises e Hayek AMÉM o livro vende que nem água, deu origem a milhões de cópias e está suprindo uma demanda. Imagino se é algo da sexualidade humana normal: quantas fangirls de yaoi não existem que escrevem fanficion de estupro que no final termina bem? E não existia até pouco tempo um gênero de filme só pra mulheres perigosas e sensuais que maltratavam homens, e os homens adoravam? E também não existem as próprias fantasias de poder, femininas e masculinas e neutras? Tudo isso é no campo da imaginação e da fantasia, controlado, como no BDSM. Acaba a cena, acaba o perigo.

O que posso dizer como ex-livreiro e marido de editor é: o público feminino tem uma demanda maior por livros de "romance perigoso" que envolva perigo ou com o cara a ser romanceado ou com o ambiente em si. Crepúsculo, 50 Tons de Cinza, Instrumentos Mortais, Caçadora de Unicórnios, série Hush Hush, Fallen: tudo isso tem um romance perigoso, de um cara misterioso que puxa a mina pra um mundo novo e assustador, ou ele mesmo é esse mundo novo e assustador. Há uma demanda a ser suprida.

A pergunta é: por quê? E isso é ruim? A demanda masculina é há muito suprida com pornografia direcionada aos homens, a demanda feminina em parte era suprida por fanfictions, yaoi, que fosse. Será que isso só vazou pro "mundo real" agora? E será que 50 tons de Cinza e os outros sexsellers são as únicas coisas então que devem ser criticadas?
Imagem
Anon
Guarda Real
Guarda Real

Avatar do usuário

Offline
 
Mensagens: 530
Registrado em: 15/02/2008 (Sexta-feira), às 13h46min
Localização: Hell de Janeiro, Capital.
Cash on hand: 1,592.85 Rupees

Re: Machismo, feminismo e paranauês de gênero

Mensagempor CDX » 09/03/2015 (Segunda-feira), às 14h46min

Pra mim 50 Tons tá (mesmo com toda a qualidade supostamente duvidável) suprindo uma demanda que sempre existiu: livros eróticos. Todo mundo gosta de putaria, todo mundo assiste pornô, todo mundo gosta de ler cenas de rala-e-rola (menos a Nawaki :fiu: ). Desde pré-adolescentes até mães e pais de família. Então quando um livro erótico que aparentemente nem é tão bom assim, que nasceu de uma fanfic e que tem uma história pra lá de clichê consegue virar um sucesso de vendas... É claro que todo mundo vai ler. Todo mundo que lia Playboy ou G Magazine escondida no banheiro agora tem a liberdade de ler um livro erótico no metrô e de falar sobre ele com o balconista da livraria como se fosse a coisa mais normal do mundo.

E por mim é MARAVILHOSO que seja assim.

Sou 101% a favor da liberdade sexual e 102% contra tabus. Acho que tratar assuntos de sexo como tabu é uma das maiores burrices que a nossa geração perpetua (e que vêm de lá de trás). Acho que homofobias, transfobias, heterofobias etc seriam reduzidas drasticamente se sexo fosse tratado como um assunto pra se falar a céu aberto. E o sucesso de 50 Tons é um sintoma da quebra dessa perpetuação. Por mim pode sair mais um milhão de livros eróticos e fazerem sucesso, mesmo que não sejam tão bons, simplesmente porque é ÓTIMO ver as pessoas comentando um livro de sexo como se fosse a coisa mais normal do mundo. Porque sexo É a coisa mais normal do mundo.

E voltando aos paranauês de gênero só pra não fugir do tópico, tem um artigo FODA da Eliane Brum desconstruindo lindamente o mito de que o excesso de violência na ficção torna as pessoas mais violentas. Meu problema com as críticas ao 50 Tons é esse. Quem critica geralmente argumenta com 'as mulheres vão se espelhar na protagonista e achar que são elas que são erradas'. E achar que uma leitora vai imitar o livro de forma tão literal... é que nem achar que alguém vai ficar violento por excesso de GTA. (acho que já falei isso :=D: )

Vale a lida: Não atirem no coringa
Imagem
CDX
Maquinista Real
Maquinista Real

Avatar do usuário

Offline
 
Mensagens: 1222
Registrado em: 28/05/2005 (Sábado), às 13h31min
Localização: Serra da Mantiqueira
Cash on hand: 2,423.15 Rupees

Re: Machismo, feminismo e paranauês de gênero

Mensagempor Anon » 09/03/2015 (Segunda-feira), às 15h22min

Meu problema maior com a banalização dos 50 tons é, primeiro, o double standard: então eu posso ler um yaoi no metrô com sexo explícito? Posso ler uma Playboy? Ou isso é demais quando comparado ao livro onde cuzinhos são treinados?

Segundo: mesmo com toda a liberação sexual, é válido mesmo liberar pra adolescentes de 13, 14 anos um livro de BDSM que trata erroneamente de BDSM? Uma coisa é uma nova geração de mulheres adultas comprando livros eróticos, outra são adolescentes que nem perderam o cabaço entrando na sexualidade já treinando o cuzinho. Há muito tempo li um artigo dizendo que a nova geração é apresentada cada vez mais cedo a pornografia hardcore/violenta... o que será que isso pode influenciar no futuro? Porque o que eu conheço de menina com sexualidade fodida por causa de yaoi-uke-estuprado não dá nem pra contar. Elas tendem a não gostar de mulheres, a ter ideias completamente nonsense sobre o corpo masculino, a ser homofóbicas também (já que tipo meio por cento dos casais gays IRL se encaixam no estereótipo uke-seme) e a tratarem homens gays como objetos para o seu próprio prazer. :/
Imagem
Anon
Guarda Real
Guarda Real

Avatar do usuário

Offline
 
Mensagens: 530
Registrado em: 15/02/2008 (Sexta-feira), às 13h46min
Localização: Hell de Janeiro, Capital.
Cash on hand: 1,592.85 Rupees

Re: Machismo, feminismo e paranauês de gênero

Mensagempor CDX » 22/04/2015 (Quarta-feira), às 08h40min



Anon escreveu:Meu problema maior com a banalização dos 50 tons é, primeiro, o double standard: então eu posso ler um yaoi no metrô com sexo explícito? Posso ler uma Playboy? Ou isso é demais quando comparado ao livro onde cuzinhos são treinados?

Segundo: mesmo com toda a liberação sexual, é válido mesmo liberar pra adolescentes de 13, 14 anos um livro de BDSM que trata erroneamente de BDSM? Uma coisa é uma nova geração de mulheres adultas comprando livros eróticos, outra são adolescentes que nem perderam o cabaço entrando na sexualidade já treinando o cuzinho. Há muito tempo li um artigo dizendo que a nova geração é apresentada cada vez mais cedo a pornografia hardcore/violenta... o que será que isso pode influenciar no futuro? Porque o que eu conheço de menina com sexualidade fodida por causa de yaoi-uke-estuprado não dá nem pra contar. Elas tendem a não gostar de mulheres, a ter ideias completamente nonsense sobre o corpo masculino, a ser homofóbicas também (já que tipo meio por cento dos casais gays IRL se encaixam no estereótipo uke-seme) e a tratarem homens gays como objetos para o seu próprio prazer. :/

Primeiro: sim, pode. Não vejo por que não.

Segundo: bom, eu não esperava nada diferente. Isso é coisa normal da idade, Anon. Eu também já tive vários pensamentos toscos sobre o corpo feminino quando tinha 13 anos (isso virou até piada no fórum por semanas a fio, com direito a pérola do ano no ZFA XD) (meldels, desenterrei fundo essa, duvido que alguém lembre) e na minha época nem tinha 50 Tons. Com o tempo a realidade bate à porta e isso se desmistifica. É assim mesmo. Ninguém fica com a 'sexualidade fodida' pra sempre por conta de uma leitura erótica. Do mesmo jeito que ninguém vira assassino em série por conta de GTA, mesmo que por uns momentos tenha um devaneio de se imaginar atropelando pessoas das gangues inimigas.

Honestamente, acho muito pior quando sexo vira tabu e a molecada aparece grávida com 12 anos.
Imagem
CDX
Maquinista Real
Maquinista Real

Avatar do usuário

Offline
 
Mensagens: 1222
Registrado em: 28/05/2005 (Sábado), às 13h31min
Localização: Serra da Mantiqueira
Cash on hand: 2,423.15 Rupees

Anterior

Voltar para Milk Bar

Quem está online

Usuários navegando neste fórum: Nenhum usuário registrado e 2 visitantes