Narração - A importancia daquilo que eu não ia dizer

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Narração - A importancia daquilo que eu não ia dizer

Mensagempor Alfa » 04/06/2014 (Quarta-feira), às 21h26min

Esse texto é meu, não é uma fanfic exatamente, é uma narração meio poética, mas na verdade estou falando sério. É sobre algo curioso que eu descobri.

A importancia daquilo que eu não ia dizer.

Texto escondido (pode conter spoilers): 
Ok, eu vou dizer.

O que eu tenho de dizer é o que descobri, ou melhor, confirmei, pois no fundo já sabia. Mas esse acontecimento confirmou.

O que?

Bom, é isso. A importância de se dizer o que se pensa. Eu já sabia que era importante. Eu sabia que fazia falta. Eu sabia que criticas eram importantes, que discutir era importante, que ouvir reclamações, e ser corrigido por alguém era importante. Enfim, eu já sabia.

Mas tem quem insista que não é.

Ai aconteceu o acontecimento que eu disse. Que eu disse que não ia dizer e que vou dizer, porque é melhor que eu diga.

Alguém fez isso comigo.

O que?

Não me disse nada.
Sobre o que?
sobre algo que eu queria saber. Não interessa o que era. Na verdade, muitas coisas. Na verdade, praticamente tudo.

Mas ela não sabia o que eu queria saber?
Saber sabia, mas não me dizia.
Porque não dizia?
Porque eu não sei. Mas sei que ela não quis me ensinar. Ai acabei no final aprendendo isso: que é importante que se ensine.

Ela seguiu tudo da cartilha. Não me corrigiu, não me instruiu, não me esclareceu. Ela se recusou a debater. Se recusou a falar. Se recusou a entrar em debate comigo, a discutir sobre algo. Algo que eu queria saber. Algo que eu achava que sabia, mas que ela parecia que sabia diferente, ou que não sabia mas que se recusava a aceitar não saber, e que que sabia.
Eu não sei. Talvez ela soubesse. Deveria. De tanto que eu falei. Eu falei muito.
Mas quando um não quer dois não resolvem o problema.
Eu critiquei. Eu pedi. Eu perguntei. Eu desafiei. Eu insisti. Mas quando um não quer, dois não brigam. Eu briguei sozinho com a pessoa. Eu discuti sozinho com ela. Eu perguntei, eu tentei entender. Eu questionei, eu quis saber, eu disse “mas se você tem uma idéia melhor, diga”, mas ela não disse. Ela não me ouviu. Ela ouviu, mas não falou. Ela não falou nada, nem concordou. Nem discordou, só insistiu em continuar na posição de discórdia sem ao menos discordar ou admitir ou criticar.

Ela me ofendeu.
Como me ofendeu? Me ofendeu como ninguém jamais conseguiu. Ela não me respondeu. Não me criticou. Nem me corrigiu. Como ousa? Como pôde? Como eu poderia me corrigir, se ela não respondia? Posava que sabia e insistia em não responder nem se sabia, só ficava com ar de “eu sei, você não, ou então não sei e to nem ai”.

Ah, como pode algo ser tão rude! Me fascinou essa bizarra forma de combate. Ela não me combatia. Não me enfrentava. Como eu morreria? Porque ela não revidava? Onde estava a espadada, o ataque, o contra-argumento? Ela não me humilhou! Que humilhação!
Ela não me criticou! Não me matou a espada! Eu lhe dei uma surra, achava eu. Será que ela não sentiu?! Que raiva! E que dor! Dor da ignorância! Não saber o que ela sente, não saber o que ela sabe, não saber ao certo se estou certo ou errado! Que horrível é! Que frustrante é!

Eu disse o que sabia! Só não disse o que não sabia. O que sabia, disse, e até disse vez ou outra “ok, não sei isso tão bem”, e ainda perguntei “e o que você acha?”
Acha? Ela não acha nada! Ela não me deixou achar a sua sabedoria.
Quem ela é? Eu nem sei! Nem isso! Eu não sei nem o nome! Eu discuti por anos, e continuo sem saber qual é a dela, dessa pessoa.

Que jeito estranho de estar certo, que jeito estranho de ofender, que jeito estranho de saber, se é que se sabe.

Como eu queria! Como eu queria ter levado aquela surra! Eu pedi por ela. Eu provoquei, eu chamei, eu briguei, humilhei, zombei!
Mas não houve resposta. Como isso dói. Que coisa anormal, que coisa ofensiva, inútil, que é a falta de discussão, a falta da guerra santa, a falta dessa boa morte que é a do debate.
Mas é estranho, que não falar, não criticar, não me humilhar, não me corrigir, é considerado elegante. E discutir é considerado ignorante. Que ignorância... Me ignoraram.

Eu sei agora que fiz isso também com pessoas algumas vezes. E mais de uma pessoa fez isso comigo. É uma ofensa, paz onde não há paz, e imposição da paz, onde há de haver guerra. Santa guerra, santa paz, a santa guerra que me faltou e me tirou a paz. Que guerreiro bizarro me enfrentou, ousou me ensinar não me dizendo nada.
E nada ensinando, eu aprendi, que o ponto fraco dele, seria se me criticasse, me corrigisse, me humilhasse, me respondesse e mostrasse o que sabia, mostrasse o que sabe. Porque ai ficou que o ignorante sou eu. Maldito guerreiro das trevas. Eu só conhecia a batalha produtiva, eu só conhecia a justiça, eu só conhecia a luz, e agora vejo as trevas: a maldita paz onde há de haver guerra.
Minha fé não se aperfeiçoou, meu saber não aumentou, não ouvi o que havia de ouvir, não soube o que havia de saber e nem sei se ensinei. Só sei que sei saber, mas assim já não sei.
Se Zelda recebe seu nome por causa da deusa... Então a história de que ela recebe esse nome por causa da primeira zelda que adormeceu acabou? Se alguém souber, me manda uma mensagem




Texto escondido (pode conter spoilers): 
Assinatura ainda em obras. Aguardem!
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